No Brasil, o celular é o principal meio de acesso à internet, e não é por acaso. É também por isso que quase todo anunciante B2B descarta o Bing Ads sem pensar duas vezes. O raciocínio é rápido: o Bing responde por 10,13% das buscas no Brasil, o Google por 87,38%, fim de papo.
Só que existe uma exceção, e ela é justamente a sua. O seu comprador B2B não pesquisa fornecedor deitado no sofá. Ele pesquisa às dez e meia de uma terça, no computador da empresa, no navegador que o TI instalou. E no desktop brasileiro os números são outros: o Bing fica com 17,79%.
Os dois números do Bing no Brasil, e por que só um deles interessa
Os dados são do StatCounter, julho de 2026. Somando todos os dispositivos, o Google fica com 87,38% e o Bing com 10,13%. Olhando só o desktop, o Google cai para 78,35% e o Bing sobe para 17,79%.
São 7,66 pontos percentuais de diferença entre uma leitura e outra. Isso não é ruído. É a diferença entre “irrelevante” e mais de uma busca em cada seis.
Tabela de dados
| Indicador | Valor |
|---|---|
| das buscas em desktop acontecem no Bing | 17,79% |
| quando você soma todos os dispositivos | 10,13% |
| pontos percentuais entre uma leitura e a outra | 7,66 |
Por que a distância é tão grande? Porque a média de todos os dispositivos é puxada pelo celular, e no celular brasileiro o Android responde por 77,49% do mercado de sistemas operacionais, ainda segundo o StatCounter em julho de 2026. No computador corporativo o cenário é outro. Windows e Edge vêm com o Bing configurado de fábrica, e muita equipe de TI mantém essa configuração do jeito que veio.
A pergunta prática, então, não é qual é a participação do Bing no Brasil. É onde o seu comprador pesquisa. Se a resposta for “no trabalho, no computador”, você está avaliando a plataforma pelo número errado.
O que a Microsoft tem que o Google não consegue copiar
A Microsoft é dona do LinkedIn. Isso faz da Microsoft Advertising a única plataforma de busca que segmenta com dados de perfil do LinkedIn: empresa, setor e área de atuação, combinados às suas palavras-chave.
Na prática, você usa o recurso para ajustar lances, não para filtrar quem vê o anúncio. A campanha continua aberta para todo mundo, e você paga mais caro de propósito quando quem pesquisou trabalha no setor que você atende. Também funciona ao contrário: dá para baixar o lance nos setores e nas áreas de atuação que o seu time comercial sempre desqualifica.
Se o seu perfil de cliente ideal é definido pela empresa, pelo setor e pela área de atuação do profissional, esse recurso, por si só, já justifica um teste. Não existe combinação de públicos no Google que reproduza isso.
Procure pelo nome em inglês, porque é assim que o brasileiro procura
Esta parte pode poupar uma semana de trabalho. No Brasil, quem procura a plataforma digita o nome em inglês, e isso muda o tipo de página que você deveria criar para atrair essa pessoa.
Segundo o Semrush, base brasileira, “bing ads” tem 2.900 buscas por mês. “microsoft ads” fica em 1.300 e “microsoft advertising” em 880. E a tradução ao pé da letra? Zero. Nem “microsoft ads b2b” nem “campanha no bing” registram volume algum, o que significa que uma página construída em cima desses termos não tem demanda de busca para capturar, por mais bem escrita que seja.
Tabela de dados
| Termo | Buscas por mês |
|---|---|
| bing ads | 2.900 |
| microsoft ads | 1.300 |
| microsoft advertising | 880 |
| microsoft ads b2b | 0 |
Isso vale para muito mais coisa do que este assunto. Traduzir literalmente a palavra-chave que funciona em inglês é a forma mais comum de escrever um texto que ninguém procura. Já vimos acontecer em alemão. Em espanhol. E de novo aqui. Faça a pesquisa na língua do mercado antes de escrever, nunca depois, como se faz em qualquer trabalho sério de SEO B2B.
Migrar do Google leva dias, e o trabalho começa depois
A Microsoft Advertising permite importar uma campanha inteira do Google Ads: estrutura, palavras-chave, anúncios, extensões e lances. Dá para fazer uma vez ou deixar rodando de forma recorrente. Uma conta funcional entra no ar em dias.
O erro é achar que a importação é o trabalho. Uma conta importada e mantida como simples cópia da conta do Google rende menos do que poderia, porque o leilão é outro. O que costumamos revisar logo depois, mais ou menos nessa ordem:
| O que revisar | Por quê |
|---|---|
| Lances e verbas | Nas contas que gerenciamos, o clique no Bing costuma sair mais barato pela mesma palavra-chave. Manter o lance importado do Google tende a fazer você pagar mais do que precisaria desde o começo. |
| Rede de parceiros de busca | Ela veicula anúncios fora do Bing.com. Olhe o desempenho dela separado e corte o que traz volume sem conversão. |
| Palavras-chave negativas | As buscas chegam com outra cara. As primeiras semanas de relatório de termos sempre revelam negativas que a sua lista do Google nunca precisou. |
| Modificadores por perfil do LinkedIn | O Google não tem equivalente, então nenhuma importação cria isso. É aqui que a vantagem B2B é de fato configurada. |
| Acompanhamento de conversão | A tag UET e as metas precisam estar configuradas e funcionando antes de você julgar qualquer coisa. Conta importada sem medição própria leva a conclusões erradas que parecem confiáveis. |
Se você já roda Google Ads no B2B, o custo de testar a Microsoft é baixo justamente por causa disso. A parte estratégica já foi feita. O que sobra é adaptação.
Quando não vale a pena, e isso acontece
Existe caso em que a resposta é não, e é melhor saber antes de abrir a conta.
Pule o Bing Ads se o seu público for jovem ou acessar a internet principalmente pelo celular, porque aí a média de todos os dispositivos é a leitura certa e ela não ajuda. Pule também se o volume no Google já for baixo: uma palavra-chave de nicho com pouca busca no Google costuma render quase nada no Bing, e uma campanha sem volume não ensina nada.
E pule se a verba total for pequena. Dividir pouco dinheiro entre dois leilões costuma render menos do que concentrar em um só. Não é uma questão de plataforma, é de massa crítica. Vale a mesma lógica de qualquer decisão de tráfego pago no B2B: primeiro um canal funcionando, depois o segundo.
Como decidir sem apostar a verba do trimestre
Comece pela pergunta central deste texto: onde o seu comprador pesquisa? Se você tem análise de audiência, olhe a divisão entre desktop e celular do tráfego que vira oportunidade, não do tráfego total. São coisas diferentes.
Se o desktop pesa, importe as campanhas, corrija os cinco pontos da tabela acima e rode por tempo suficiente para acumular conversões relevantes. Meça o custo por lead qualificado de cada plataforma dentro do seu CRM, não impressões e cliques.
Depois deixe o número decidir. Essa é a parte que quase ninguém faz: tratar a escolha como uma questão a ser testada, em vez de partir de uma opinião sobre qual buscador é melhor. As duas contas ficam abertas, e a verba vai para a plataforma que apresentar o menor custo naquele trimestre.
Perguntas frequentes
Vale a pena anunciar no Bing Ads no Brasil?
Depende de onde o seu comprador pesquisa. Para um público B2B que trabalha no computador, sim, vale ao menos um teste: o Bing fica com 17,79% do desktop brasileiro. Para um público jovem e predominantemente móvel, não.
Qual é a participação do Bing no Brasil?
Em julho de 2026 o StatCounter registrou 10,13% somando todos os dispositivos e 17,79% considerando só o desktop. O Google ficou com 87,38% e 78,35% nas mesmas leituras.
O clique no Bing é mais barato que no Google?
Nas contas que gerenciamos, o custo por clique na Microsoft costuma ser menor para a mesma palavra-chave. É uma observação nossa, não uma garantia: o leilão depende da sua categoria e de quem está disputando com você.
Dá para importar as campanhas do Google Ads?
Dá, e é o caminho normal. A importação traz estrutura, palavras-chave, anúncios, extensões e lances, uma vez ou de forma recorrente. Só não pare por aí, porque conta importada sem ajuste rende abaixo do que poderia.
O que é a segmentação por perfil do LinkedIn?
Como a Microsoft é dona do LinkedIn, a Microsoft Advertising consegue ajustar lances por empresa, setor e área de atuação de quem pesquisou. É o único buscador que faz isso, e é o motivo mais forte para um anunciante B2B testar a plataforma.
Preciso de quanta verba para testar?
Menos do que para abrir um canal do zero, porque a estrutura vem importada. O critério não é um valor fixo e sim se sobra verba depois que o seu canal principal já está funcionando. Se dividir a verba prejudica o que já funciona, ainda não é hora.
Quanto tempo até saber se funcionou?
O suficiente para acumular conversões, não cliques. Defina antes quantos leads qualificados você precisa ver para tomar a decisão, e não olhe o painel todo dia até chegar lá.
No fim, quase toda essa decisão cabe numa pergunta só, e ela não é sobre buscador. É sobre onde o seu comprador estava sentado quando procurou o que você vende.



