O Google publicou uma página dizendo que não é preciso nenhuma otimização especial para aparecer nos recursos de IA da busca do Google. Nenhum dado estruturado especial. Nenhum requisito extra. Se chegou até você uma proposta vendendo SEO para IAs como uma disciplina inédita, comece por ali. Depois, olhe para o dado que raramente entra nessa conversa. Em português, há muito menos material publicado do que em inglês. Menos material, menos gente disputando a citação. E isso não se compra com código.
O Google já respondeu se existe otimização especial para IA
A página chama-se AI features and your website. O texto é direto. “The best practices for SEO remain relevant for AI features in Google Search (such as AI Overviews and AI Mode).” As boas práticas de SEO continuam valendo para os recursos de IA na busca.
Logo em seguida vem a frase que fecha a discussão. “There are no additional requirements to appear in AI Overviews or AI Mode, nor other special optimizations necessary.” Não há requisitos adicionais, nem otimizações especiais necessárias. E ainda: “There’s also no special schema.org structured data that you need to add.”
Isso não quer dizer que nada mudou. Quer dizer que a alavanca não é a que estão te vendendo. Para aparecer como link de apoio numa resposta de IA do Google, a página precisa estar indexada e apta a aparecer na busca com snippet. É o mesmo portão de sempre. Quem bloqueia snippet, se exclui.
Em português, existe muito menos material publicado
Aqui está a parte brasileira da história, e ela é a mais útil.
Tabela de dados
| Idioma | Sites |
|---|---|
| Inglês | 49,5% |
| Espanhol | 6,0% |
| Alemão | 5,9% |
| Japonês | 4,9% |
| Francês | 4,5% |
| Português | 4,1% |
O W3Techs mede a participação dos idiomas no conteúdo dos sites. No levantamento de 21 de agosto de 2026, o inglês responde por 49,5% dos sites. O português, por 4,1%. Espanhol, alemão, japonês e francês ficam entre 4,5% e 6%.
Pense no que isso significa para quem pergunta em português. O assistente monta a resposta a partir de um acervo que é uma fração do inglês. Menos fontes disputando o mesmo espaço. E, pela nossa experiência, boa parte do que existe em português sobre assuntos B2B técnicos é rasa, republicada ou antiga.
A conta muda. Em inglês, um material realmente bom entra numa fila enorme. Em português, ele entra numa fila bem mais curta. É um problema de oferta de conteúdo, não de marcação.
O lado ruim da mesma moeda
Um acervo pequeno também joga contra, e vale dizer isso antes que alguém comemore cedo demais.
Quando não existe material decente em português, o assistente não fica em silêncio. Ele responde assim mesmo. Puxa de fonte fraca, de conteúdo genérico, às vezes de material em inglês que descreve outro mercado, com outra regulação e outro preço. Sua categoria acaba explicada por alguém que não trabalha nela.
Já vimos isso em contas que atendemos: a descrição da categoria vem correta e a descrição de quem atua nela vem errada. É desconfortável, e dá para fechar essa lacuna escrevendo.
A pergunta que a sua página precisa responder
Um assistente não copia a sua página. Ele extrai um pedaço dela e reescreve. Então a pergunta que importa é concreta. Existe no seu site um trecho curto que responda sozinho uma dúvida real do seu comprador?
Não é sobre densidade de palavra-chave. É sobre a resposta estar inteira num lugar só, logo abaixo do título que a anuncia, sem depender dos três parágrafos anteriores para fazer sentido.
Um teste rápido. Pegue um trecho de cinco linhas de uma página sua e leia isolado, fora do contexto. Ficou de pé? Então dá para extrair. Precisou do resto para se sustentar? Aí você tem uma página boa para ler e ruim para citar. As duas coisas não são a mesma.
Quem escreve a sua resposta quando você não escreve
Se a sua empresa não descreve o que faz de um jeito consistente, alguém descreve por você. Perfil desatualizado. Diretório antigo. Um comparativo escrito por um concorrente. Uma matéria de 2021.
Vale gastar uma tarde nisso. Em que lugares a sua empresa é descrita hoje, e essas descrições concordam entre si? Nome, categoria, para quem você vende, em que mercados. Quando as fontes divergem, o assistente escolhe uma. E pode não ser a que você preferia.
Esse trabalho é chato e barato. E costuma render mais do que ficar esperando o blog crescer, porque depende só de arrumar o que já existe.
No desktop brasileiro, cerca de um quinto das buscas já não é Google
Um contrapeso, para o texto não virar só conversa sobre assistente.
O StatCounter mediu o mercado brasileiro em julho de 2026. Em todos os aparelhos, o Google fica com 87,41% e o Bing com 10,11%. No desktop, o quadro é outro: Google 78,37%, Bing 17,76% e Yahoo! 3,41%.
Tabela de dados
| Buscador | Participação |
|---|---|
| 78,37% | |
| Bing | 17,76% |
| Yahoo! | 3,41% |
Quando o seu comprador pesquisa do computador do trabalho, com a máquina que a empresa entregou e o navegador que a TI configurou, é a linha do desktop que descreve o que ele vê. Por isso a gente olha primeiro para ela. E ali, cerca de um quinto das buscas já acontece fora do Google. Se a sua leitura de visibilidade olha só para um buscador, ela está incompleta antes mesmo de a IA entrar na conta. Vale cruzar isso com o que você já faz em tráfego pago e em SEO B2B.
Como medir sem inventar número
Essa é a parte em que muita proposta fica vaga, e dá para ser exato.
Comece por uma lista curta de perguntas reais, aquelas que o seu time de vendas ouve toda semana. Vinte bastam. Rode essas perguntas nos assistentes que os seus compradores usam, anote se a sua empresa aparece, com que descrição e com qual link. Guarde a data. Repita em trinta dias.
Três indicadores dizem se alguma coisa mudou: a frequência com que você aparece, a exatidão do que é dito, e quais páginas suas foram citadas. É pouco glamouroso e é verificável. Se um fornecedor não consegue te mostrar essa planilha, ele não está medindo, está contando história.
Uma ressalva honesta. As respostas variam de uma sessão para outra. Por isso a leitura é de tendência ao longo de meses, nunca de um teste isolado.
Quando isso não vale o seu tempo
Nem todo negócio precisa entrar nessa fila agora, e dizer isso é mais útil do que empurrar o assunto.
Seu ciclo começa em indicação? Você vende para uma lista fechada de trinta contas? Tem cinco páginas no site e nenhuma responde a uma dúvida técnica? Então o trabalho rende pouco. Arrume primeiro a base. Uma página de serviço que explica o que você faz vale mais do que qualquer ajuste pensado para assistente.
E se o seu comprador ainda decide por catálogo, tabela e visita, o peso disso hoje é menor do que o barulho sugere. Volte daqui a seis meses.
Na COSEOM® a gente trata isso como parte do SEO, não como serviço à parte. O motivo é o do começo deste texto: a documentação do Google não descreve uma disciplina separada. Se quiser ver como isso aparece numa avaliação de fornecedor, o nosso guia de agências de marketing B2B tem o roteiro de perguntas.
Perguntas frequentes sobre SEO para IAs
SEO para IAs é diferente de SEO tradicional?
Na base, não. O Google escreve que as boas práticas de SEO continuam valendo para os recursos de IA e que não existem otimizações especiais necessárias. Muda o formato: na prática, a resposta rende mais quando cabe inteira num trecho curto, que possa ser extraído sem o resto da página.
Preciso adicionar alguma marcação nova para aparecer nas respostas de IA?
Segundo a documentação do Google, não. Está escrito lá: não existe nenhum dado estruturado especial do schema.org que você precise adicionar. A marcação que você já usa continua útil pelos motivos de sempre.
Por que há menos concorrência pela citação em português?
Porque o acervo é menor. O W3Techs mediu 4,1% dos sites em português contra 49,5% em inglês em agosto de 2026. Menos fontes concorrem pela mesma citação, e, pela nossa experiência, boa parte do que existe é rasa.
O que faz o meu conteúdo ser citado por um assistente?
Pela nossa experiência, três coisas ajudam. Responder de forma direta logo abaixo do título da seção. Ser recente. E bater com o que dizem sobre a sua empresa em outros lugares. Trecho que só faz sentido junto com o parágrafo anterior é difícil de extrair.
Como eu meço se estou aparecendo?
Monte uma lista de vinte perguntas reais do seu processo comercial, rode nos assistentes, e registre aparição, descrição e link citado. Repita mensalmente e leia a tendência, não o teste isolado.
Bloquear os robôs de IA protege o meu conteúdo?
Protege e custa. Para aparecer como link de apoio nos recursos de IA do Google, a página precisa estar indexada e apta a ser exibida com snippet. Quem restringe snippet reduz a chance de ser mostrado ali.
Conteúdo em inglês serve para o comprador brasileiro?
Serve para o assistente responder, mas costuma descrever outro mercado, com outra regulação e outros preços. Por isso o material escrito em português costuma servir melhor ao comprador brasileiro.
Quanto tempo leva para ver mudança?
Prazo é justamente o que ninguém controla aqui, então desconfie de quem promete um. A leitura honesta é de meses, comparando a mesma lista de perguntas ao longo do tempo.
Vale contratar uma ferramenta de monitoramento?
Só depois que a lista de perguntas existir e alguém olhar para ela toda semana. Ferramenta acelera uma rotina que já funciona. Ela não cria a rotina.


