Na nossa experiência, quem vende software no Brasil costuma montar o SaaS SEO a partir de uma lista de palavras-chave em inglês, traduzida ao pé da letra. O problema aparece na primeira consulta. No banco de dados brasileiro da Semrush, consultado em setembro de 2026, “sistema ERP” tem 18.100 buscas por mês. “Software ERP” tem 1.600.
E não é só a palavra. Nas marcas nacionais, o comprador compara com “ou”, quer saber se a ferramenta conversa com o WhatsApp e usa calculadora trabalhista toda semana. Um plano de SEO para SaaS pensado para outro mercado não enxerga nada disso. Este artigo mostra onde estão essas buscas e que páginas respondem a elas.
Quem compra software no Brasil digita “sistema”
Na nossa leitura, “software” soa como palavra do pessoal de TI. Quem precisa organizar o financeiro, o estoque ou o departamento pessoal pede um sistema.
As buscas confirmam. Comparamos seis categorias e “sistema” teve mais buscas em todas. “Sistema CRM” tem 3.600 buscas mensais, contra 880 de “software CRM”. Em gestão, o placar é de 2.900 a 1.300, e em RH, de 720 a 390. Até em help desk, uma categoria com nome em inglês, “sistema” ganha por 110 a 70. A diferença menor foi em clínicas: 170 buscas para “sistema para clínica” e 140 para “software para clínica”.
Tabela de dados
| Categoria | Com "sistema" | Com "software" |
|---|---|---|
| ERP | 18.100 | 1.600 |
| CRM | 3.600 | 880 |
| Gestão | 2.900 | 1.300 |
| RH | 720 | 390 |
A consequência é simples. O título, o H1 e o nome das páginas de categoria devem usar a palavra que o comprador digita. “Software” pode continuar no texto, mas recomendamos “sistema” onde o Google lê primeiro.
A busca pela categoria já tem dono
O impulso natural é mirar o termo da categoria. Só “CRM” tem 201.000 buscas mensais no Brasil, com dificuldade 79 numa escala de 0 a 100 da Semrush. “ERP” tem 49.500.
Agora olhe quem aparece. Nos dez primeiros resultados orgânicos de “sistema ERP”, nove são páginas de fornecedores de software, quase todas no formato “o que é ERP”. O único que não é de fornecedor é um vídeo do YouTube. O Google leu a busca como um pedido de definição, e fornecedores do tamanho de SAP e Oracle já estão lá com a resposta.
Em “melhor CRM”, seis dos dez resultados são blogs ou páginas de fornecedores. Na segunda posição aparece um tópico do Reddit escrito em inglês e exibido com tradução automática.
Pelo que vemos, uma empresa SaaS de porte médio tem mais a ganhar começando pelas buscas de quem já está escolhendo. Elas têm menos volume, mas quem as faz está mais perto da compra. O método geral, com métrica e prazo, está no nosso guia de SEO B2B. Aqui ficamos com o que é próprio de quem vende software.
Quem está escolhendo escreve “ou”
Nas comparações entre marcas brasileiras, o “vs” das páginas em inglês perde para o “ou”. “Bling ou Tiny” tem 90 buscas por mês e “Tiny ou Bling”, mais 50, enquanto as duas versões com “vs” somam 40. Entre Omie e Conta Azul, as formas com “ou” somam 80 buscas, e as formas com “vs”, 10.
Com marcas globais a mistura é maior. “RD Station vs HubSpot” tem 40 buscas, e “RD Station ou HubSpot”, 20. Por isso recomendamos checar as duas formas, marca por marca, antes de escrever o título.
São volumes pequenos, e tudo bem. Na nossa experiência, uma página de comparação com poucas dezenas de buscas pode render mais do que milhares de visitas de categoria, porque quem compara duas marcas já decidiu comprar uma delas. Só que ela precisa comparar de verdade: o que cada produto faz melhor, para quem serve e em que ponto o seu perde. Quem está com as duas abas abertas percebe na hora quando a página só elogia o próprio produto.
A busca por plano gratuito faz parte da mesma escolha. “CRM gratuito” tem 2.900 buscas por mês e “ERP gratuito”, 1.000. Se o seu produto tem plano grátis ou período de teste, essa página tem público esperando.
No CRM, a integração que o brasileiro pesquisa é o WhatsApp
“CRM WhatsApp” tem 2.900 buscas mensais, e “CRM com WhatsApp” soma mais 320. Para um SaaS que integra de verdade com o WhatsApp, essa é provavelmente a página de integração mais importante do site.
Recomendamos uma página para cada integração que pesa na decisão, escrita para quem faz a pergunta: o que dá para fazer, o que precisa configurar e quanto tempo leva. Uma grade de logotipos não responde nada disso.
Só tome cuidado com a quantidade. Com um modelo, dá para gerar centenas de páginas “integração com X” numa tarde. As políticas de spam do Google descrevem o abuso de conteúdo em larga escala como muitas páginas geradas com o objetivo principal de manipular o ranking, e não de ajudar quem busca, não importa como foram produzidas. Na nossa leitura, uma página que só troca o nome da ferramenta se parece muito com isso. Uma que explica como a integração funciona, não.
Calculadoras e planilhas atraem o comprador quando ficam perto do produto
No Brasil, a ferramenta gratuita tem um peso especial. “Calculadora de rescisão” tem 90.500 buscas por mês e “calculadora de férias”, 18.100. “Planilha de controle de estoque” chega a 3.600, e “planilha de fluxo de caixa”, a 2.900.
Esses números só interessam se o público da ferramenta for o seu comprador. Para quem vende sistema de departamento pessoal, a calculadora de rescisão atrai justamente o analista que faz esse cálculo. Para quem vende CRM, traz visitas que dificilmente viram cliente.
Recomendamos ligar a ferramenta ao produto sem rodeios. O resultado da calculadora pode mostrar o que o sistema faria sozinho. A planilha pode dizer, no próprio arquivo, onde ela deixa de dar conta.
Cadastro ativado ou reunião realizada: defina antes de escolher as páginas
Tudo o que vimos até aqui depende de como o seu SaaS vende. Se o produto é self-service, a conversão acontece quando alguém cria a conta e começa a usar de fato. Se a venda depende do time de vendas, a conversão é a reunião realizada.
No primeiro caso, recomendamos priorizar plano gratuito, integrações e ferramentas, e medir os cadastros que chegaram a usar o produto, não só os cadastros. No segundo, comparações e casos de uso pesam mais, e a métrica é reunião realizada. Nesse caminho a página de demo decide muita coisa, e é o assunto do nosso artigo sobre captação de leads B2B.
Visita orgânica não é nenhuma das duas coisas. Pelo que vemos, usuários que chegam por tipos diferentes de página concluem a ativação em ritmos diferentes. Vale separar a medição por tipo de página desde o primeiro mês.
Um último canal costuma ficar fora do plano: a central de ajuda. Pelo que vemos, ela aparece em buscas de dúvidas de uso e de mensagens de erro que quem está avaliando o produto faz antes de decidir. Trate essas páginas como conteúdo, com título claro e um link para o próximo passo. Se quiser ajuda para montar esse plano, veja como trabalhamos SEO para empresas B2B.
Perguntas frequentes
O que é SaaS SEO?
É o SEO feito para empresas que vendem software por assinatura. Em vez de mirar só o termo da categoria, ele prioriza páginas de comparação, integração, plano gratuito, ferramentas e central de ajuda, e mede cadastro ativado ou reunião realizada, não visita.
Devo usar “sistema” ou “software” nas páginas?
Para o título e o H1, recomendamos “sistema”. No banco de dados brasileiro da Semrush, “sistema ERP” tem 18.100 buscas mensais contra 1.600 de “software ERP”, e “sistema CRM” tem 3.600 contra 880. Já dentro do texto, as duas palavras convivem bem.
Vale a pena criar páginas de comparação com concorrentes?
Na nossa experiência, sim, desde que a comparação seja honesta e diga onde cada produto é melhor. Confira se o seu comprador escreve “ou” ou “vs”: nas marcas brasileiras que medimos, “ou” teve mais buscas.
Quantas páginas de integração devo publicar?
Uma para cada integração que tem conteúdo real para explicar. As políticas de spam do Google tratam como abuso muitas páginas geradas principalmente para manipular o ranking, e não para ajudar quem busca, qualquer que seja a forma de produção.
Como medir o retorno do SEO para SaaS?
Separe os resultados por tipo de página e acompanhe o que gera receita: usuários que concluíram a ativação, nos produtos self-service, ou reuniões realizadas, nos produtos vendidos pelo time de vendas. Prazo e métricas gerais estão no guia de SEO B2B.
SEO e mídia paga funcionam juntos em SaaS?
Funcionam. Recomendamos usar links patrocinados para testar quais comparações e integrações convertem e, depois, investir em conteúdo orgânico nas que se pagaram. Mais detalhes no nosso guia de tráfego pago B2B.
Os assistentes de IA mudam o SEO para SaaS?
Mudam onde parte da pesquisa acontece, mas o comprador continua precisando de comparação honesta e integração bem explicada. O que muda na prática está no artigo sobre SEO para IAs.


